Iva Valdez, de uma vida de incertezas às portas da Universidade de Santiago

Sou uma jovem da ilha Brava. A minha jornada começou quando, por causa da saúde do meu pai, tivemos de deixar a nossa terra e mudar-nos para a cidade da Praia. Foi uma mudança difícil, cheia de incertezas, marcada por lutas diárias. Infelizmente, apesar de todos os esforços, acabei por perder o meu pai nessa luta constante — uma dor que carrego comigo até hoje.

Apr 4, 2025 - 20:33
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Iva Valdez, de uma vida de incertezas às portas da Universidade de Santiago

Durante muito tempo, trabalhei em diversas áreas, agarrando cada oportunidade que surgia, porque sabia que o meu caminho não podia parar ali. Consegui fazer a minha formação profissional com muito esforço, mas dentro de mim havia um sonho que nunca me abandonou: entrar para a universidade.

Com o apoio incondicional da minha mãe e dos meus familiares emigrados, esse sonho começou a tomar forma. Finalmente, consegui ingressar na Universidade de Santiago, onde hoje faço a minha licenciatura. Só eu sei o peso e o valor que isso tem. Não foi fácil chegar até aqui, e todos os dias é uma nova batalha — mas é também uma vitória sobre tudo o que já vivi.

Carrego nas veias a nossa cultura, a nossa música, porque sou neta de um grande homem: Nho Raul de Pina, violinista e compositor bravense que marcou gerações. Hoje ele já não está entre nós, mas a sua música vive em mim. Tive a honra de levar a Brava comigo até à universidade, e foi lá que tive a oportunidade de cantar e interpretar “Sodade”, diante do próprio Primeiro-Ministro. Foi um momento inesquecível — não só por quem estava presente, mas por tudo o que representou.

A música, para mim, é mais do que arte: é uma linguagem universal, que atravessa todas as barreiras. Na música, não há hierarquias. Todos somos sim, todos somos melodia. E, naquele palco, eu não era apenas uma estudante — era uma voz que levava consigo a alma da Brava.

Ainda há muito a fazer, muitos caminhos por percorrer. A estrada não tem sido fácil, mas carrego comigo a força da Djabraba, que me inspira a seguir em frente, a continuar a sonhar e a acreditar que tudo é possível.

Iva valdez