Mãe apela médicos especializados na ilha e mais apoio para com crianças autistas

A mãe de uma criança autista, na Brava, Nataniela Monteiro pediu hoje mais apoios às mães e familiares de crianças com necessidades especiais no município, uma vez que a ilha não dispõe de médicos especializados.

Apr 3, 2025 - 03:28
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Mãe apela médicos especializados na ilha e mais apoio para com crianças autistas
Nataniela Monteiro fez este apelo, em declarações à Inforpress, à margem de uma conversa aberta de consciencialização com alunos do 5.º e 6.º anos da Escola Sena Barcelos, em Nova Sintra, que a mesma organizou e teve como convidados os psicólogos da Delegacia de Saúde e do ICCA.
Conforme salientou, na Brava existem alguns psicólogos que ajudam, mas não tem nenhum tipo de profissional especializado para fazer o acompanhamento que um autista necessita.
Nataniela Monteiro disse não culpar também os professores que sentem dificuldades em lidar com estas crianças, visto que até os mininos, “ditos normais”, estão a dar bastante trabalho nas escolas.
“No meu caso, quando o meu filho tinha dois anos e tal, comecei a notar diferença no comportamento, sendo que o mesmo queria sempre ficar mais isolado e não gostava de brincar com os outros meninos”, contou.
Daí, realçou que na época procurou um médico e também começou a pesquisar o porquê do comportamento diferente da sua criança.
Neste sentido, relatou que procurou especialistas, nomeadamente, pediatras e psicólogos, e por fim conseguiu uma consulta particular na cidade da Praia, com um neurologista e foi a partir daí que soube o diagnóstico da criança.
“Apelo a quem de direito, às autoridades competentes para terem mais atenção a esta ilha e para nos ajudarem com médicos especialistas, que não temos na Brava, com terapias, ou que formem professores que nos poderão ajudar no desenvolvimento das nossas crianças”, disse.
Por sua vez, a psicóloga do Instituto Cabo-verdiano da Criança do Adolescente (ICCA), Rosana Sousa, explicou que o autismo é um distúrbio do neurodesenvolvimento que se caracteriza por alterações na comunicação, interacção social e comportamento.
Segundo a psicóloga, nenhuma pessoa se torna autista, mas nasce com autismo, sendo que, na ilha, existem algumas crianças portadoras desta deficiência que frequentam a escola e sempre recebem acompanhamento dos profissionais da Equipa Multidisciplinar de Apoio à Educação Inclusiva (EMAEI).
“Muitos pais e encarregados de educação não costumam aceitar o diagnóstico dos filhos e isso acaba por dificultar o desenvolvimento da criança autista, por isso apelo a todos os familiares e colegas a consciencializarem e a terem mais respeito por uma pessoa autista e quando assim for aceite, irá ajudar no seu desenvolvimento”, concluiu.
O Dia Mundial da Conscientização sobre o Autismo, criada pelas Nações Unidas em 2007, como forma de aumentar a conscientização pública sobre o autismo, celebrou-se hoje sob o lema “Informação gera empatia, empatia gera respeito".